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Objetivos:
• Esclarecer
e situar a correta definição de um problema;
• Eliminar
conceitos pré-concebidos que prejudicam as atividades de solução dos
problemas.
Discutimos anteriormente que os problemas têm origem
em uma não-conformidade diante de um requisito ou especificação.
Portanto somente podemos afirmar que um problema existe quando
comparamos com algo que esteja previsto ou especificado como padrão de
referencia. É o que ocorre, por exemplo, com uma característica
(grandeza ou parâmetro que será monitorado) de uma peça. Durante o
planejamento da qualidade é verificado em desenho qual é sua
especificação e, quais problemas potenciais podem ocorrer. Com isto,
pode-se definir como a medição poderá ser realizada, conhecendo-se as
suas formas e o uso a ser dado para a mesma. É preciso conhecer também a
sua interação com as demais peças. Há muitas técnicas que são utilizadas
no planejamento da qualidade. O fato é que, sabemos o que é esperado e,
havendo divergências uma não conformidade estará caracterizada. Portanto
temos um problema.
Com tantas atividades de planejamento ocorrendo nas
organizações, pressupomos que as não-conformidades, defeitos, falhas,
enfim, divergências, não deveriam ocorrer. Esta é a intenção, todas as
atividades de planejamento são conduzidas com e para esta finalidade. As
normas de qualidade, as técnicas de gestão, os métodos de trabalho,
equipamentos e tantos outros recursos são criados com a intenção de que
os problemas não ocorram e, muito menos venham a se repetir. A
preocupação existe porque os problemas significam custos que oneram a
sociedade como um todo. As perdas proporcionadas pelos problemas acabam
por serem pagas pelo comprador; o refugo que é jogado fora proporciona
gastos ambientais, por exemplo; uma decisão estratégica errada
proporciona prejuízo aos envolvidos, e até mesmo à sociedade.
Considerando tudo isto, pode-se dizer que trabalhamos para que um
problema não ocorra. Imagine por exemplo, quanta perda existe na
construção de um edifício. Há as perdas naturais da atividade. Há as
perdas decorrentes de quebra e danos da matéria–prima utilizada. Há as
perdas decorrentes das falhas de método de trabalho. Há as perdas em
função de erro de projeto, de erro do operário. Resumindo: as perdas
encarecem o custo final dos apartamentos a serem vendidos.
A pergunta que surge é: de onde vêm estes problemas
todos? Podemos dizer que vêm de três origens:
• Das condições de trabalho
• Dos
erros e falhas das pessoas
• Da
gestão administrativa
Cada uma destas fontes pode e deve ser analisada
individualmente. As condições de
trabalho estão ligadas diretamente aos
métodos, material utilizado, qualidade dos equipamentos, enfim como
conseguir executar. Os erros e
falhas das pessoas estão diretamente
envolvidos na qualificação e treinamento destas pessoas, concentração no
trabalho, problemas de bem estar. Tudo o que se relaciona á maquina
humana e seu funcionamento. E problemas de
gestão administrativa
se referem à forma de gerenciar cada atividade e até mesmo a
organização. Por exemplo, as políticas de trabalho influenciam
determinadas tomadas de decisões que podem impedir ou adiar o
investimento em algum recurso importante. Todas estas fontes estão
relacionadas à existência de padrões de referencia e especificações com
que se possa comparar e informar que uma divergência ou problema ocorre.
Analise sua organização e verifique se tudo isto é fato.
Podemos analisar a fonte dos problemas em três tipos
de erros ou falhas. O entendimento deste conceito é que determinará o
grau de abrangência, a extensão dos recursos e o sucesso da atividade de
solução de problemas.
• Erros
grosseiros (enganos)
• Erros
sistemáticos (constantes)
• Erros
acidentais (probabilidade)
Os erros grosseiros (enganos) surgem da falta de
cuidados, da prática e do conhecimento do observador: erro de calculo,
erro de leitura – por falta de conhecimento ou cuidado. Estes erros são
eliminados durante a tratativa da não-conformidade quando, o observador
aprende uma boa técnica de medir. Os erros sistemáticos (constantes)
ocorrem em decorrência da falha do
observador, do
aparelho usado
ou do método utilizado.
Podem ser em conseqüência de uma deficiência de visão, de um instrumento
com calibração incorreta, um aparelho não zerado, do operador que ajusta
os valores, etc...
Os erros acidentais (aleatórios ou probabilidade)
surgem através de causas imprevisíveis ou desconhecidas, decorrentes do
acaso. Sua ocorrência independe do planejamento executado de forma
preventiva, ou seja, não surgem da falha do observador, dos instrumentos
/ equipamentos ou dos métodos. São ligadas as probabilidades. Ou seja,
qual a possibilidade de uma falha ocorrer? Por exemplo: erros de
paralaxe, cansaço do operador, fadiga de um material. São situações que
o conhecimento atual permite estimar, mas não quando e porque ocorrerá.
São estes os casos prioritários para realizar uma ação corretiva através
de um método disciplinado de solução de problemas.
O que é a probabilidade? É a chance dentro de
determinadas condições que, um evento possui de vir a ocorrer. Por
exemplo: qual é a chance de sair cara num jogo de cara / coroa com uma
moeda. Como há duas situações possíveis – então é 50% - metade para cada
um. E se pensarmos que jogamos a moeda duas vezes, qual a chance de sair
uma cara seguida de coroa?
Trazendo a idéia de probabilidade à discussão na
linha de produção de uma organização: qual é a chance de ocorrer um
determinado defeito? Com base nos históricos dos problemas determinamos
valores de possibilidades em % ou ppm. Digamos que seja 250ppm - então a
possibilidade de ocorrer determinado defeito seria de 250 peças em um
milhão. A curva de Gauss, vista na figura três abaixo sintetiza as
possibilidades de ocorrência de um evento..

Todo este conhecimento estatístico básico irá
determinar a estratégia de solução e priorização dos problemas na
organização. De fato, existe um mito de que não é possível resolver
todos os problemas da organização, e que algum destes nem são tão graves
assim. O único fato é que realmente não é possível resolver todos os
problemas simultaneamente na organização. É fato também que as
não-conformidades precisam ser eliminadas. Então, se não o fizermos
estaríamos incorrendo em não-conformidade no sistema da qualidade? O que
fazer então?
Na verdade, esta ansiedade gerada pela crença de que
todos os problemas precisam ser resolvidos é incorreta. A norma de
qualidade estabelece que uma análise critica de não-conformidades deva
ser realizada de acordo com requisitos estabelecidos em procedimentos
pela organização. Não há prazos ou limites para que isto ocorra – a
norma não fala em tempo hábil, exceto para ações corretivas de
auditorias. Portanto, é possível que algumas não conformidades, segundo
tais critérios, nunca venham a serem solucionadas. Mas não é
simplesmente dizer que não é possível fazer. Este critério depende do
impacto que tem sobre a satisfação dos clientes com a entrega de
produtos, medido por indicadores como o ppm, por exemplo. Mas
principalmente depende dos danos que pode causar à organização e ao seu
sistema de qualidade. Estes critérios devem ser os norteadores de uma
priorização a ser realizada e na disponibilidade de recursos.
Um fato que não poderá ser esquecido é que, ao
ocorrer uma não-conformidade esta deve ser tratada conforme requerido em
8.3 – Controle de Produto Não-Conforme – realizando ações para que o
produto, serviço volte a ser conforme. O fato é que o produto
não-conforme deve ser eliminado do ambiente da organização, mantendo-se
os registros da ação tomada, relata Maranhão. Neste momento, não
queremos adiar a identificação da causa – desejamos evitar o envio de
peças não-conformes ao cliente e, elas não devem permanecer à disposição
para uso indevido. Nos métodos disciplinados de solução de problemas
chamamos isto de CONTENÇÃO. A contenção de produtos não-conformes é que
deve ser realizada em todos os casos. É importante esclarecer que a
contenção é o ato de fechar a torneira para que não jorre mais
problemas.
Uma crença existente é que, se o problema for de
gestão, como uma não-conformidade contra um requisito da norma no
sistema da qualidade, deveria se proceder a alteração do procedimento
como atividade de contenção. Errado. Devemos apenas garantir que o
problema não chegue à etapa seguinte. Outras ações dependem da análise
crítica.
Finalizando, o procedimento da organização é quem
determinará se todos os problemas ou os prioritários devem ser atendidos
com um método de solução de problemas. Antes que seja tomada uma decisão
não esqueça de tratar os produtos não-conformes com uma CONTENÇÃO
adequada.
O que você deve fixar deste capítulo:
1. Um problema só existe quando comparado a um padrão
ou referência: especificação, requisitos.
2. Os
problemas surgem das condições de trabalho, dos erros e falhas humanas
e, da gestão administrativa.
3. Os
erros podem ser grosseiros, sistemáticos ou acidentais.
4. Os
erros acidentais são decorrentes de probabilidade.
5. Conhecimentos
estatísticos ajudam a determinar critérios para priorizar os problemas.
6. Não
há prazos ou limites para solucionar os problemas.
7. Todos
os problemas devem ter tratativas de não-conformidade - isto é chamado
de contenção.
8. Para
solucionar os problemas, dependemos também dos recursos disponíveis e
das estratégias da organização.
9. O
procedimento da organização é quem determinará o critério de revisão das
não-conformidades.
Um toque de qualidade:
1. Os
problemas geram custos que são pagos pela sociedade
2. A
curva de Gauss representa a probabilidade de ocorrência de um evento.
3. Há
um mito de que não é possível resolver todos os problemas na
organização.
4. Algumas
não conformidades, conforme critérios poderiam nunca ser solucionados.
Desafio – como utilizar o conteúdo para
atingir ao objetivo:
- Identifique alguns problemas na organização e, avalie
como estão sendo conduzidos. Verifique se a tratativa de produto não
conforme foi aplicada e, se a ação corretiva deve ser aplicada também.
Veja os procedimentos.
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